Vida de trem
No trem todo mundo toma gardenal, tem conta de luz atrasada, tem conta de água atrasada. No vagão está todo mundo atrasado e sempre está calor. As vezes alguma desmaia, outro cai no vão quando a porta abre. Já vi porrada de um cara que xingou um pastor e de gente disputando lugar no puxão de cabelo. Já vi gente se conhecendo no trem, já conheci muita gente também na hora de compartilhar alguma coisa para ler.
Já dei muita risada das rimas dos ambulantes, e de como eles rimam mais ainda quando não estão vendendo… e conseguem arrancar gargalhadas e uns trocados de quem está lá espremido. Tem trovador também, repentista, tem cantor, tem pedinte, tem moranguete.
Acho que já andei mais de trem do que de metrô e de ônibus juntos. Minha vida já passou muito por lá. Quando estiver velha, e quiser lembrar de quando era adolescente e matava aula para ir na galeria do rock, vou pegar o trem. Quando quiser rir do fora mais fenomenal, dos dias que voltei com o sorriso de orelha a orelha, e das noites que acabavam seis da manhã junto com o resto do trem indo para o trabalho, também.
Já desmaiei com trem lotado, já paguei mico seis da manhã, já conheci gente e reencontrei velhos amigos no trem… mas nunca caí do vagão. yeah/.
Mais um dia:
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Tags: encontros, moranguete, vomitaram no trem
Diane Arbus says:
My favorite thing is to go where I’ve never been.

- Diane Arbus, self-portrait
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Tags: diane arbus, says
Dito says:
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Tags: alegre, brabo, rosa
Hoje foi um dia daqueles que não merecem título de post, mais conhecido como #shitday. Queria mesmo esquecer e não gostaria de lembrar que já existiram outros assim. Muitos. Na verdade, alguns se fosse contabilizar os já vividos. Dane-se. Se está escrito aqui, ao menos um dia vou lembrar de novo.
E depois de chegar em casa salva, (não quero contar detalhes para não me aborrecer mais) algo mudou de verdade. Não. Isso não é a história de moral de alegria após a desgraça. Mesmo porque não gosto muito da ideia de que para alcançar a felicidade a gente precise fazer sacrifícios. Acho só que isso é um jeito que muitas pessoas levam a vida e até se prejudicam dele, porque aceitam coisas ruins por acharem que isso é um “castigo”, uma “etapa” até o bom chegar.
E pela primeira vez no meio desta lama que o dia teve a pachorra de me jogar, e no meio da tristeza, não tive mais saudade do passado. Tive saudade do futuro e olhei para frente. Parecia uma despedida do que por muito tempo me prendi. Mas uma despedida daquelas que a gente nem chora, só tranca a porta com força e manda pastar. Adeus e fim.
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Na Cabeceira: Seu Kossoy
Toda fotografia é um testemunho segundo um filtro cultural, ao mesmo tempo que é uma criação a partir de um visível fotográfico. Toda fotografia representa o testemunho de uma criação. Por outro lado, ela representa a criação de um testemunho. [Boris Kossoy]
Desta belezinha aqui.
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Tags: "boris kossoy", fotografia
Na cabeceira: Dr. Gonzo
"A imprensa é uma gangue de covardes impiedosos. Jornalismo não é uma profissão, não é nem mesmo um ofício. É uma saída barata para vagabundos e desajustados – uma porta falsa que leva à parte dos fundos da vida, um buraquinho imundo e cheio de mijo, fechado com tábuas pelo inspetor de segurança, mas fundo o bastante para comportar um bêbado deitado que fica olhando para a calçada se masturbando como um chimpanzé numa jaula de zoológico”. [Hunter Stockton Thompson]
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Tags: jornalismo
Trabajo para los que necesitan
Achava freelar legal. Achava. Fico o dia todo de pijama com máscaras de pepino e/ou esfoliação na cara enquanto trabalho, e com os pés enfiados numa bacia cheia de ervinhas que fazem bem para eles.
Posso comer qualquer hora, mesmo que um dos objetivos for emagrecer. Objetivo esquecido, por sinal, no meio da jornada diárias de horas inexatas. Posso comer também aqui em frente, qualquer porcaria que for, mas sinto falta de não ter com quem dividir, porque não sou filha única, sempre comprei mais do que aguentava comer para poder perguntar se as pessoas querem o que estou enfiando na boca compulsivamente.
Acho bom o silêncio ou o barulho das músicas que mais gosto. Posso ir até o banheiro dançando e cantar que nem louca qualquer hora.
Não tem que pensar na roupa pela manhã, nem se vou repetir, se tem que levar guarda-chuva ou blusa de frio na bolsa por conta do tempo que pode mudar depois de tanto tempo num mesmo lugar longe de casa. Também durmo minhas 8 horas sagradas a hora que quiser.
Mas o que mais queria era chegar pela manhã com a bolsa cheia de coisas, porque o tempo pode mudar ou a gente pode sair para algum lugar. Falar “Bom dia” para as pessoas com cara de sono e algumas de sono + mau humor, ter hora de almoço e procurar lugares novos para comer. Ter mais equilíbrio em não comer o dia todo e não precisar de creme na cara toda hora. Eles podem muito bem cuidar dela somente enquanto durmo.
Queria gente para cantar comigo. Meu segredo super secreto é que, na verdade, adoro fazer o backing vocal com aquelas mãozinhas super femininas. Queria dividir novidades, e ter opiniões e sugestões do que estou fazendo, e dar sugestões quando alguém pedir. Ter happy hour de sexta e aniversário do mês. Ter novidade todo santo dia de gente que ainda nem conheço. Poder trocar, repartir… o que parece estar parado aqui.
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Tags: blergh, la vita, trabajo
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